A HISTÓRIA DA JOALHERIA CLÁSSICA


IDADE MODERNA

                 No século XIV, o joalheiro (produção seriada, semi-industrial), substitui a figura do ourives (artesão).Os grandes centros de produção joalheira  se localizavam em Paris, Colônia e Veneza.                 

No RENASCIMENTO a joalheria atingiu o mesmo nível da pintura e da escultura. O desenho passa a ser base de toda obra de arte, é introduzido o planejamento nos mínimos detalhes da peça a ser executada, dos elementos decorativos às soluções técnicas. Nasce os precursores do DESIGNER DE JÓIAS, artistas como Hans Holbein e Benvenuto Cellini eram contratados por mecenas para desenharem jóias, forma de estimular os ourives da época na busca de novas técnicas de produção.

Salt Cellar or Saliera, Belonging to King Francis I of France of the Earth and Sea United Giclee Print by Benvenuto Cellini

Fig,11 saleiro, executado por Cellini,
(1540-3) em ouro e ébano, considerado
obra prima da ourivesaria.
(ALLPOSTERS,2007)

                 No período BARROCO, as jóias, que sempre estiveram atreladas ao momento socioeconômico e cultural vivido pelo homem, trocaram o valor artístico da renascença pelo esplendor das jóias confeccionadas com muito metal nobre e inúmeras pedras raras a elas agregados. As jóias passaram a ser apenas símbolo de status, valiam pelo valor da matéria prima, nesse período a joalheria esteve muito presente na arte sacra.

Fig.12 pendente tipo relicário, forma circular,
composição em cloisonné, e perola barroca, séc.XVI.
(Paris, musée du,2007)

               No ROCOCÓ, os joalheiros passaram a produzir coleções de jóias, umas mais leves, para serem usadas durante o dia, outras mais pesadas para serem usadas à noite que eram desenhadas  para refletirem o brilho da luminária noturna.
                 No período seguinte, o NEOCLÁSSICO, já com o advento da revolução Francesa, a simplicidade na forma de vestir toma conta da Europa e dos Estados Unidos da América. Com isso a joalheria  adapta-se à formas e estilos bastante rígidos e o  design de jóias do período retroage, buscando inspiração na ourivesaria Grega e Romana.
             No movediço cenário dos movimentos sociais, com seus avanços e retrocessos constantes, com a Revolução Industrial em curso e uma nascente Classe Social Burguesa, formada pelo novo rico, produzido pela indústria de massa que se consolida, toma corpo tanto na Europa como na América. Este ambiente cria um sentimento de prosperidade, e um homem com capital para adquirir bens materiais. Neste cenário, os joalheiros, tendo a abundância dos diamantes produzidos nas recém descobertas minas da África do Sul, passam a produzir jóias recobertas de brilhantes. O brilho e a opulência tomam lugar do design e do bom gosto, isto é, cria-se  a jóia do “vale quanto pesa”.


 

Fig.13, Broche cravejado de diamantes
e esmeraldas, séc. XIX.
 (ARTE EM NUMEROS,2007)

      O século XX, inicia-se com forte reação à banalidade e a falta de conceito das jóias do “vale quanto pesa”. Joalheiros como Cartier, Boucherom e também do movimento “Art Noveau” como Renée Lalique, passam a compor suas jóias com a delicadeza das guirlandas e das flores estilizadas. Lalique junto à outros joalheiros, foram além, introduzindo na joalheria clássica materiais alternativos, entre eles o marfim e ossos de animais, materiais estes, escolhidos pelo seu valor maior, a estética, a beleza e a capacidade para compor uma jóia,  fig.14.


fig.14


fig.15
Fig.14, Diadema: Orquideas,  (1903-1904)

-“Duas orquídeas em chifre e uma em marfim constituem o corpo deste belo diadema enriquecido ainda por um pequeno topázio em forma de gota no centro da flor de marfim. O pente de três dentes também em chifre, é articulado ao diadema por uma charneira em ouro”. a orquídea com seu exotismo foi uma das flores símbolos do movimento arte nova do final do séc. XIX, Lalique abstraindo sempre da flor real com muito realismo, confere elegância e forte erotismo a esta jóia”.

 

Figs. 14 e 15, (GULBEMKIAN,2007)
-René Lalique, (1860-1945)

-Materiais naturais e natureza sempre foram fonte de referência  para René Lalique, que junto a Cartie e boucherom formaram uma legião de seguidores.

 

Fig. 15 – pendente : serpentes estilizadas, leveza, elegância, foram características intrínsecas da joalheria de Lalique. 


                 O marco desta joalheria foi a Exposição Universal de Paris onde artistas do movimento “Art Noveau” liderados por Lalique criaram  grande expectativa e furor. Porém, vale lembrar, este estilo teve ciclo de vida bastante curto, abandonado com o advento da primeira grande guerra, e pelo fato de que as peças produzidas não eram muito práticas para o uso cotidiano.
                 Após a primeira Guerra, a joalheria, por influência Francesa, adota o estilo Art Déco, contrário ao design funcional criado pelos Alemães da Bauhaus. As classes abastadas adotam o glamour do estilo Luiz XVI,  que é um pouco suavizado na década de 1930.
                 Após a Segunda Grande Guerra a joalheria se adaptou a um novo tipo de cliente, que passou a comprar peças de joalheria como  investimento. A qualidade, a quantidade e o valor monetário dos metais e pedras raras aplicadas a uma única peça  são  característica da joalheria deste período até as décadas de 60/70. A matéria prima aqui se sobrepõe muito ao valor artístico da jóia. (1)
                 Já no final do século XX uma nova joalheria se impõe, onde o valor da expressão artística é colocado acima do valor monetário dos materiais utilizados. Daí a busca da utilização, pelos designers, de materiais alternativos tais como: titânio, aço inox, cobre, ferro, plásticos, papéis e ossos entre outros, enfim, o desenvolvimento de uma NOVA JOALHERIA.
(BRETAS,Manuela,; DURANDO,F.; GANDARA,Mário.; GIORDANO,C.M.; IMBROISI, H.M.; LOMBARDI,C .; MACHADO,Regina.; MARTINS,Simone.R.; MATTHEW, Donald.; MOTTA Biane.; PEDROSA, Julieta.;)

nota: (1) A joalheria foi usada neste período, principalmente pelo povo Judeu, como forma de guardar valor, visto que a perseguição a estes se deu praticamente em toda a Europa, e a fuga rápida era uma necessidade, a jóia podia ser transportada com muita facilidade, e agregada de muito valor.


Autor: Valmir Maioline
Bacharel em Direito pela Instituição Toledo de Ensino
Bacharel em Design de Produto pela FAAL - Faculdade de Administração e Artes de Limeira
Joalheiro e Designer da Ousadia Prata